ENTREVISTA COM JOSÉ VAIDERGON
A cada quatro anos temos a Copa do Mundo. Por todo lado vemos bandeiras nas varandas, nos carros e até na cabeça. O povo veste o verde e amarelo. Mas será mesmo que o brasileiro é patriota ou esse sentimento só surge em época de Copa do Mundo? Para responder essa questão o Triboleiros entrevistou o professor José Vaidergorn, bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Unicamp, tem larga experiência profissional em Sociologia da Educação e Política Educacional.
- O BRASILEIRO É UM POVO PATRIOTA?
Sim, semelhante a muitos outros povos. O sentimento de patriotismo corresponde a uma sensação de pertencimento e identidade (território, língua, cultura, valores) necessária para a segurança contra o estrangeiro desconhecido e, por isso, ameaçador. A afirmação patriótica se dá em muitos níveis tanto racionais quanto emocionais, embora estes sejam mais notáveis. Até um nível razoável é saudável. Acima disto o patriotismo exagerado é chauvinismo, gerador de preconceito e violência. O brasileiro médio, urbano, que tem como principal formador de opinião a televisão, mostra um patriotismo de ocasião correspondente à mobilização que o meio promove, mas há sim um movimento próprio estimulado desde os primeiros anos de escolarização.
- ESSA FUGA DO BRASILEIRO NO FUTEBOL SERIA UMA SAÍDA DOS PROBLEMAS DO COTIDIANO?
O futebol, por vezes, é o próprio problema do cotidiano (haja vista a torcida do Coríntians). Mas, de uma atividade lúdica, tanto o jogar quanto o ir ao campo assistir um jogo, ou torcer por um time tornou-se um fator de risco. Se a prática é a de não perder de forma alguma o "outro" torna-se mais que um adversário. Ao mesmo tempo, outros elementos do cotidiano deixam o seu lugar de importância momentânea, mas sempre retornam.
- DE QUE FORMA ESSE PATRIOTISMO CONTRIBUI COM A SOCIEDADE?
Para um fabricante de camisetas, fogos, bandeirinhas e televisores, ajuda (e muito!) os negócios. Para os estudantes e trabalhadores que são dispensados das atividades nos horários dos jogos também muda alguma coisa, se é bom ou não, fica a critério de cada um. Em termos de efeito político são tantos os que procuram aproveitar a onda que o resultado é quase nulo. A sociedade, por sua vez, tem neste um período que se lembra que o país é muito maior que sua paróquia. Quando o time vence, a euforia faz com que as pessoas se sintam felizes e enquanto este sentimento perdura as coisas ficam mais tranquilas. Se o time perde...
- POR QUE A ESCALAÇÃO DO DUNGA FOI TÃO CRITICADA PELOS BRASILEIROS?
Dunga? O que é isto? Time brasileiro? Quantos jogam no Brasil? Particularmente o meu interesse é mais pela Ponte Preta de Campinas. Eu realmente não tive muito interesse em acompanhar quem irá joga na copa (o meu filho caçula tem o seu interesse por conta do álbum de figurinhas). Parece que tem um jogador que já passou pela Ponte Preta, o Luiz Fabiano (é isso mesmo?). Além dele, quem mais? Por outro lado, a crítica respeitosa e fundamentada deve ser bem vinda. Sendo assim não é anti-patriotismo, ao contrário, é a vontade de auxiliar. Mas, por conta até da forma como alguns personagens televisivos se comportam, fazendo a sua opinião (por vezes contaminada por interesses em negociatas), qualquer um pode se julgar um "expert" em qualquer esporte. Como se diz, se o time vence, o técnico é gênio e os jogadores são ótimos; se perde, o técnico é uma besta e os jogadores são desprezíveis pernas-de-pau.
Por: Bianca Carvalho
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O brasileiro é mesmo patriota? Confira a entrevista com cientista social, Professor José Vaidergorn
quinta-feira, 27 de maio de 2010
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2 comentários:
Ótima entrevista !
a ultima frase revela o sentimento patriota do brasileiro, que se eleva em bons lençóis e decai em crises.
Parabéns Triboleiros
O futebol realmente perdeu muito da sua essência, agora parece que tudo se trata de lucro vindo da venda de "apetrechos" ooou jogadores.
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