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Não, o Brasil não é o país do futebol

quarta-feira, 26 de maio de 2010


Se tem uma coisa que o fica na nossa cabeça, ainda mais em época de copa do mundo é que o Brasil é o país do futebol. Talvez a soberba tenha subido à cabeça dos nossos comentaristas, narradores e torcedores, mas o fato é que, infelizmente, o Brasil não é o país do futebol. O Brasil tem a maior galeria de craques do mundo, com Pelé, Garrincha, Zico, Ronaldo, Kaká, e é o maior exportador de jogadores de elite. Nossa seleção tem cinco títulos mundiais de futebol, já ganhou a Copa América oito vezes e é sempre favorita em qualquer competição que participa. O futebol é nosso esporte nacional, imbatível em popularidade, mesmo assim não somos o país do futebol.
Atribui-se aos súditos da rainha a invenção do futebol moderno, por volta de 1863, que é uma versão de outros esportes já praticados desde a idade média por toda a Europa. Desde então, a explosão do futebol ao redor do mundo parece insignificante comparado ao que acontece na Inglaterra. Manchester United. Já ouvi falar? Chelsea, Liverpool, Arsenal, Portsmouth. Apenas a cereja de um bolo de mais de 40 mil times, enquanto por aqui temos pouco mais de 13 mil. O faturamento da 2ª divisão do futebol inglês é cerca de 50% maior que o do Campeonato Brasileiro da 1ª divisão. Por lá os maiores jornais publicam os resultados até da 7ª Divisão. O futebol por aquelas bandas é mais que um esporte, é uma religião.
Na Itália, Alemanha, Japão, Argentina e atualmente até no Estados Unidos (lembra do Cosmos?), o futebol é um esporte mais que popular, e se você perguntar qual é o verdadeiro país do futebol, provavelmente a resposta não será a que você está pensando.
Isso não demonstra que o futebol brasileiro está menos popular, apenas que a globalização transformou o futebol em uma paixão popular sem igual no mundo. E a rivalidade só tende a crescer.
“Com toda a certeza Messi é o melhor jogador escalado para essa copa”, provoca o motorista e fanático torcedor argentino Lisandro Pallo. Para ele, obviamente, o Brasil não é o país do futebol. “Não preciso falar nada, nossa história fala por si. O futebol argentino está melhor preparado, apesar de alguns problemas que tivemos. Tenho inteira confiança que podemos ganhar a Copa do Mundo.” É Lisandro, sonhar é preciso! Mais realista, a professora argentina Martina Gómez acredita que a seleção nacional tem chances de ganhar o título, mas acha que haverá mais equilíbrio. “Nem imagino quem vai vencer. Essa Copa vai ser a mais imprevisível”, analisa Martina.
Nos Estados Unidos, a popularidade do esporte não pode ser comparada com outros esportes nacionais, como o baseball e o futebol americano, entretanto a influência latina, asiática e européia trouxe o futebol (ou soccer) para uma nova geração de praticantes e torcedores. A americana Angelique Stokes Payne, moradora de Virginia Beach, é uma grande fã de futebol. Ela diz que começou a ter interesse por futebol através de sua família. “Meu marido é de Trinidad e Tobago e ele ama futebol. Meu filho é um fantástico jogador... e só tem 12 anos!”
A Sra. Payne acredita que o futebol não precisa de rótulos ou fronteiras, e se declara uma grande fã do futebol brasileiro. Se depender dela e de outros milhões de fãs do futebol brasileiro, mesmo não sendo, seremos o país do futebol. “Vou vestir minha camisa da seleção. Na última Copa do Mundo eu fui para a ESPN em New York e assisti aos jogos com outros fãs do futebol brasileiro... Eu senti como se estivesse em família. GOOOOOOOO BRAZIIIIIILLLLLLL!!!!!!!!”
Bem vindo ao mundo do futebol.
Por Jean Monteiro

1 comentários:

Anônimo disse...

Muito interessante essa reportagem, podemos não ser em quantidade, mas creio que somos os maiores torcedores, por que sempre acreditamos ate o final de que iremos vencer a copa, até o apito final e isso que faz a diferença dos torcedores e jogadores brasileiros.

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